O meu mundo desabou.

Fiquei sem palavras como o príncipe ao escutar a bela voz que vinha da torre. Caí na realidade quase tão abruptamente como os seus longos cabelos o fizeram, diversas vezes, da janela. A minha vida foi, até agora, uma mentira. Mas vi a luz; finalmente segui o caminho da verdade.

Hoje descobri que o nome Rapunzel, personagem de um conto dos irmãos Grimm bem como de filmes da Disney, foi literalmente inspirado na palavra alemã para canónigo (Valerianella locusta). Outrora designado de Rapunzel, o canónigo é hoje chamado de Feldsalat. Brincadeira tem hora, pensei. Mas é verdade. E não há nada a fazer...

Será que vou conseguir voltar a comer canónigos? Quando olhar para a Rapunzel vou ver uma jovem de cabelos longos ou umas folhas insossas? Não sei como digerir esta informação. Até amanhã. Adeus, infância.

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Um oásis. Mas não de originalidade.

Ah, sábado à noite, e a je, depois de um dia atarefado, chegou a casa. Esperava poder desfrutar de algum silêncio, coisa que nem sempre é fácil encontrar numa grande cidade... Mas é sábado à noite e muita gente quer é soltar a franga. Outros só querem é mesmo juntar os amiguinhos em frente a uma lareira imaginária e tocar a mesma música durante horas a prejuízo das últimas reservas de paciência que tenho em mim.

A escolhida foi Wonderwall. Conhecem? É uma das músicas mais acarinhadas daquela banda constituída por dois irmãos que, ultimamente, têm dado mais que falar pela disfuncionalidade da sua relação do que pela sua arte. Conhecem os Oasis? Escusado será dizer que ambas as perguntas são revestidas de muita ironia. Miúdos e graúdos, eu, vocês e um número considerável de pessoas à face da terra já ouviram esta canção pelo menos uma vez. Se forem como eu, tiveram de a escutar várias vezes durante o ensino secundário. Se tiverem feito parte de um grupo de escuteiros, gostarem de acampar ou ficar na praia com amigos até o sol desaparecer, devem saber a letra e os acordes de cor e salteado.

Retomando ao (não-)assunto que me fez escrever este pequeno, mas sentido rantzinho simpático, os fofos do terceiro andar estão a tocar a Wonderwall dos Oasis há três horas. Três horas... Três horas é um período superior à discografia de muitos artistas que atualmente estão na moda e é, sem dúvida, o máximo de tempo que os irmãos Gallagher devem ter disponibilizado para conversar entre si nos últimos anos. Okay, vou admitir que a minha reação inicial foi hum, já não ouvia esta música desde o ensino secundário e estava contente com isso. Mas depois? Ai, ai...

À terceira repetição: So Sally can wait, she knows it is too late... À décima repetição, só pensava no porquê de os irmãos Gallagher não se falarem e que a vida é demasiado curta bem como preciosa para a desperdiçar com zangas inúteis. Mas agora? Agora já chega, diria eu. Já percebemos que sabes tocar a música na guitarra acústica. Já sabemos que conhecem a letra toda. Mas a não ser que estejam a angariar fundos para uma viagem de finalistas ou a tentar reunir os Oasis, não estão a fazer nenhum favor ao tocarem a mesma canção durante três horas a fio. É preciso ser tão cliché? Há tanta música interessante para escutar. É pena só ter dois ouvidos. Mas agora vou dormir, porque o meu mal é sono.

#2 Ai, Evaristo, vem cá abaixo ver isto!

Hello, darlings!

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Fonte: popcrush.com // Mariah Carey em #MariahLive (MTV First).

#1. Nunca mais é demasiado tempo.

Segundo diversos jornais desportivos portugueses, Cristiano Ronaldo já não volta a Madrid. Mas nunca, nunca mais? Nunca mais mesmo? Nunca mais é demasiado tempo. Afinal, percebi após clicar no artigo, "não volta mais ao Real Madrid". Oops, era um clickbaitzinho. Acontece. Talvez TODO este drama à la telenovela da Globo seja um clickbaitzão para encher jornais durante os meses de verão. Se for, por favor, parem de brincar com as emoções de milhares de portugueses que acreditam que o Cristiano Ronaldo vai regressar ao Sporting e ajudar a ganhar campeonatos suficientes para compensar a travessia no deserto que dura há mais de uma década.

#2. No alcohol zone.

Nunca pensei escrever isto e, se o fizesse, talvez eu é que estivesse sob a influência de álcool. Mas, mas, mas, mas, gente, existe um perímetro em redor dos estádios que recebem os jogos da Taça das Confederações onde o consumo de bebidas alcoólicas é extremamente proibido. Esta medida irá afetar todos os jogos disputados durante a competição e nem mais, nem menos a partida entre Portugal e a Rússia. Um minuto de silêncio pelas bebedeiras que poderiam ter existido, não fossem estes dois países, respetivamente, décimo primeiro e quarto na lista de maiores consumidores de álcool per capita, segundo dados de 2010. Mas podia ser pior! Portugal acabou de empatar contra o México e está all the way up rumo à final. Podia ter sido muito pior... Podia ter ganho o jogo. E bem sabemos que todas as equipas que ganharam todos os jogos do seu grupo acabaram por perder o Europeu.

#3. I live the Portuguese dream.

Depois de José Castelo Branco ter partido rumo aos States, Sintra não foi a mesma. Ficou melhor. Até chegar a tia Marge... Sim, ao que tudo indica, a Madonna comprou a Quinta dos Relógios em Sintra! Adoro, adoro. Aliás, fico muito contente por ela ter escolhido Portugal no meio de cerca de 190 possibilidades e, se o problema dela é o Grump, não podia ter optado melhor quando escolheu um país governado por pessoas que parecem ser o oposto dele. Mas a questão é: Quanto tempo até os mirones começarem a fazer fila para tentar vislumbrar a Nossa Senhora da Madonna? 

#4. É uma nova fragrância?

Foi o que quis pensar quando me disseram que iam ver o Axl Rose vulgo Guns N'Roses. Admito, de todos os membros dos Guns N'Roses, só conheço o Slash, devido a uma parceria com a Rihanna, e o Axl Rose por parecer o Chucky, o boneco assassino. Parece que estava enganada, pois as avaliações da digressão têm sido bastante positivas. Fui injusta e reconheço. Apesar de terem passado décadas após a era dourada da banda, deram um brilhante espetáculo musical a todos os que pagaram para os ver ao vivo. Kudos!

#5. Não sou eu quem tem de se pronunciar sobre o assunto. 

Mas vou falar de qualquer das formas. Ora são os tertulianos aka apresentadores que nunca singraram na vida, ora são os familiares que se esquecem de quem tantas oportunidades lhes deu e, possivelmente, põe a comida no prato sem exigir nada em troca. Custa muito respeitar a vontade alheia de ter alguma privacidade? É preciso ter atenção vinte e quatro horas por dia, ultrapassando tudo e todos? Não creio que seja.

#6. Olha para o que eu como, não olhes para o que eu digo.

Não adoram aquelas pessoas que "não são racistas, mas"? Seres humanos de categoria! Conheço uma senhora alemã que, apesar de ser simpática para comigo, possui esse, na minha opinião, grande defeito. Não é que ela, que passa a vida a falar mal dos turcos, resolveu oferecer-nos charutos de folha de uva recheados, uma especialidade que adquire em lojas turcas e tanto adora? A verdade é que não gosto de charutos de folha de uva... Gosto que as pessoas não sejam julgadas pela sua nacionalidade, querida.

#7. Quando o fumo desaparecer, fica a triste derrota.

A morte é inevitável. Exceto durante os períodos de maior calor em Portugal. Aí, é tão certo quanto a própria morte que irão falecer pessoas de forma evitável, quer em terra, quer no mar. Oxalá houvesse suficiente responsabilidade política, legislativa e cívica para contornar o evitável. Evitável esse que destrói vidas, despedaça famílias e populações, tal como causa irreparáveis ao meio ambiente, magoando, vezes sem conta, um país inteiro.

E é com esta nota de pesar que me despeço hoje e vos desejo uma excelente semana. Que os dias que se avizinham tragam notícias mais positivas e muitas coisas boas para cada um de nós.

#1 Ai, Evaristo, vem cá abaixo ver isto!

B*tch, I am back by popular demand.

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Fonte: Tumblr (flapperwitch) // Formation (Beyoncé).

#1. A curiosa citação do tio Vladimir Vladimirovich.

Salvaguardando possíveis diferenças contextuais, o atual presidente da Rússia revelou o seu sentido de humor, quiçá mais profundo que a submersa Atlântida, afirmando que não tem dias maus, porque não é uma mulher. Se não tem dias maus, talvez tenha dias de maldade. E não vou dizer mais nada, porque, um dia, desejo visitar a Rússia e não quero ver o meu visto ser rejeitado devido a graçolas na internet. Porque ela não perdoa. E o Presidente P. aparentemente também não.

#2. Inconveniência lost in translation.

Esta semana, em amena cavaqueira com uma colega nascida na China, soltei a gaffe a propósito do seu casamento e do tópico damas de honor: Tens I-R-M-Ã-S? Nem preciso de enunciar a resposta, pois não? Foi um momento tão cringe que só me apetecia pegar no guarda-chuva e desaparecer como a Mary Poppins. Anda uma pessoa a estudar partes da história da China na escola para se comprometer nos momentos fulcrais... Forgive me, R.

#3. Dia da empilhadora.

Ontem, sábado, celebrou-se esta data tão especial. O quê? Ninguém vos avisou? Pois eu fui avisada! Quando ia na rua, algo carregada, pois transportava comigo três sacos e uma mala, um simpático senhor comentou: "Hoje é dia da empilhadora! Que menina tão forte... Parabéns!" Dia da empilhadora soa melhor em alemão, but anyway, ficaram com a ideia. E ele é que não me viu a carregar um caixote até aos correios, porque aí seria dia do Hulk! Espero que ele esteja bem... Um ótimo jogador que representou o FC Porto. A bunda era (e deve ainda ser) nota dez.

#4. Não chores sobre vinho derramado.

Estava a dirigir-me para o supermercado quando um casal à minha frente retirava as suas compras da mala do carro. Nesse preciso momento, o homem carregava uma caixa com seis garrafas de vinho. Italiano, por sinal. De repente, não é que a caixa se abre e as garrafas acabam por se partir no chão? Parecia uma cena da Guerra dos Tronos. Se ele não chorou, chorei eu. Mesmo que ele seja daqueles que podia usar notas de cem euros como fatias de queijo no pão. Mas o que importa é ter saúde.

#5. Há mais duas criancinhas no mundo.

Segundo a SIC Notícias. Não há confirmação, mas parece que o Cristiano Ronaldo foi pai novamente. De gémeos. Mas nem sei se a notícia é credível... Como é que as crianças não se chamam Ronaldo Cristiano e Cristiana Ronalda? Quanto à questão da barriga de aluguer, nem vou por aí. Não sou ninguém para julgar e cada um é livre para começar a sua família da forma que desejar. Respeito qualquer forma de família onde exista amor e um ambiente saudável. Mas, cá entre nós, aposto que, com este ritmo (sobretudo se considerarmos o número de notícias especulativas na equação), terá uma equipa de futsal até ao final da década.

#6. O João Mário não é o Portugal's Next Top Model.

You wanna be on top? Onde está a Tyra? Não sei, mas parece que o Bruno de Carvalho, o Adamastor do futebol nacional, acha o João menos atraente que o Renato Sanches. Whatever, certo é que poderá tratar-se de uma vil manipulação do conteúdo gravado; certo é que se trata de um grave abuso da posição do jornalista, pois haveria que, neste caso, se pedir permissão para gravar a conversa, sobretudo por não se tratar de algo do interesse público nacional. Quero lá saber das opiniões do homem! Provocou alguma controvérsia, mas sobretudo risadas e momentos memeásticos de qualidade ímpar, pelo que para mim valeu a pena. Para os jogadores envolvidos deve ter sido desconcertante e aborrecido. Mas que fazer? Sugiro deixar de dar tempo de antena a personagens.

#7. Tell him boy bye.

Adeus, roaming! Não sei para onde vais, agora que saíste da União Europeia, mas desejo-te boa viagem. Não sei o que virá a seguir. Só sei que arranjarão novas formas de comer o meu dinheiro só porque sim. Como diz o ditado: atrás de mim virá quem de mim bom fará. Talvez seja o caso do roaming. A ver vamos.

E foi assim, minha gente. Motivos de sobra para dizer: ai, Evaristo, anda cá abaixo ver isto! Ou talvez seja melhor ficares onde estás, porque esta semana foi de arrasar.

Queridos, mudei de visual!

Diria o blog, se tivesse boquinha para falar. Já eu não. Continuo e continuarei, se Deus quiser, com o mesmo penteado de sempre, o cabelo comprido com ondulação ligeira dividido ao meio.

Mas não descarto a hipótese de, para manter uma aparência jovem, ter de experimentar uma cor mais escura ou retornar à franja que usava durante a minha infância. Até lá é aproveitar ao máximo aquilo que a genética me deu, porque me tem rendido tantos elogios not so elogiosos...

Que cabelo tão longo! Pena as pontas espigadas...

O teu corte de cabelo é meio foleiro, mas até nem te fica mal.

Esse penteado só te assenta mais ou menos porque o teu cabelo tem algum volume e não fica assapado na testa.

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Fonte: Giphy // Megan Fox em Jennifer's Body (Fox Atomic).

As negativas irão negativar. Mas já chega de falar do meu cabelo. Só queria, muito rapidamente, partilhar a novidade que, apesar de ser uma mudança de visual digital, me motiva para escrever mais e melhores conteúdos. Ou pelo menos tentar. Stay tuned!

Berlim foi…

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Berlim! What else? 

B de (the) bomb:

Berlim nunca desilude e é, de LONGE, a minha cidade alemã favorita! Simplesmente uma explosão de vida, cultura e diversidade, apesar de bastantes momentos conturbados na sua história.

Sabes que Berlim é the bomb quando tentas fazer comparações com outras cidades, mas não consegues, porque Berlim é Berlim!

E de eclética:

Que aborrecido seria se fossemos todos iguais! A não ser que pudéssemos ser a Beyoncé. Berlim não é uma metrópole de zombies que se apresentam e vestem de forma idêntica, falam da mesma forma ou andam apenas atrás de dinheiro 9 to 5.

Berlim é uma cidade eclética, juntando elementos, tendências e pessoas de natureza bastante diversa. É bastante difícil não se sentir em casa numa cidade onde há sempre algo para cada um, independentemente dos seus interesses.

R de real:

A-D-O-R-O o facto de Berlim não tentar transmitir a ilusão de ser um local onde os problemas não existem. Hey, é uma cidade que foi arrasada durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido pouco depois dividida em duas partes tão heterogéneas e acabando por ser reunificada em 1989.

Claro que existem problemas: prostituição, drogas, pobreza, criminalidade... Mas Berlim não se deixa definir por flagelos sociais, mas sim pela atitude dos seus habitantes perante a vida.

L de linda:

Okay, okay, a beleza é tão relativa e o que eu vou escrever a seguir vai parecer bem estranho, mas Berlim é linda! Não necessariamente linda de um ponto de vista meramenre estético e, para explicar este meu pensamento, vou utilizar a personificação.

Se Berlim fosse uma mulher, não seria a mais atraente fisicamente, mas sim aquela que, pela sua personalidade, se torna linda com o passar do tempo. Tal como há cidades bonitas que são um pouco boring, há aquelas que podem nem ser tão belas de um ponto de vista arquitetónico, mas são mais lindas... Para mim, Berlim é assim!

I de imponente:

É uma grande cidade, com mais de três milhões de habitantes, local onde diversas culturas se cruzam e onde tudo pode acontecer, desde cuecas no parque a pessoas despidas na rua. O segredo é não olhar descaradamente: se o fizeres, não és de Berlim!

Para aqueles que se assustam com notícias ou descrições da cidade bem como para quem vem da Parvónia Town (como eu), Berlim parece um pouco assustadora. Mas, hey, se ultrapassarem essa reação inicial, vão perceber que é uma cidade que vale mesmo a pena conhecer.

M de mais:

Sim, eu sei que mais não é um adjetivo. Contudo, é uma palavra que define tão corretamente esta cidade alemã. Berlim é extra! Surpreende e excede-se. O que será de Berlim daqui a uns anos? Não sei, mas vai ser algo (ainda mais) em grande.


Passados dois anos de muita saudade, voltei a Berlim. Jaaaa! Parti no domingo passado e regressei esta quarta-feira. Que posso dizer? Apesar de não ter tido tempo para ir a todo o lado, foi fantástico voltar a submergir no modo de viver berlinense.

Espero voltar muito brevemente. Entretanto, vou matando as saudades com recordações publicadas no blog