14 formas de corrigir ou evitar hiperpigmentação.

Se leram o meu penúltimo artigo – tipo, why wouldn’t you? -, terão constatado que mencionei o facto do outono ser a época ideal para corrigir danos provocados pela radiação ultravioleta durante o verão. Aliás, é justamente após os meses de maior calor e, concretamente, períodos de prolongada exposição solar que alguns sinais de hiperpigmentação tendem a manifestar-se.

Como poderão depreender, hiperpigmentação significa, normalmente, um excesso ou a produção anormal de melanina. Variando em tamanho, forma e coloração, tende a aparecer sobretudo no rosto, mãos e zona peitoral. Importa, antes de explicar como tratar esta condição cutânea, definir as principais formas de manifestação da (hiper)pigmentação na pele humana.

Sardas ou efélides: As sardas são manchas benignas e de pequena dimensão que tendem a aparecer especialmente no rosto, com especial incidência na zona das bochechas e do nariz, bem como no peito ou braços. Características sobretudo de tons de pele mais claros, caracterizam-se por surgirem habitualmente durante os primeiros anos de vida, sendo ainda impulsionadas por via de fatores externos como a luz solar e, por exemplo, poluição ambiental. Poderão desvanecer com o decorrer do tempo e tendem a perder intensidade nos meses mais frios. Sendo predominantemente uma condição genética, as dicas que abaixo sugiro poderão atenuar a sua aparência, mas, dependendo da intensidade das mesmas, possivelmente revelar-se ineficazes na sua erradicação.

Estrias: Associadas a oscilações de peso, consistem em cicatrizes permanentes. São lesões de difícil tratamento.

Sinais ou nevos: Este tipo de pigmentação é de origem benigna. Contudo, torna-se fundamental permanecer atento a possíveis alterações, na medida em que um sinal poderá tornar-se canceroso. Nesse caso, tratar-se-á de um melanoma. Estima-se que cerca de um terço dos melanomas derivará de um sinal benigno.

Manchas solares, manchas de sol ou fotolesões cutâneas: Este é o tipo de hiperpigmentação mais comum após meses ou anos de exposição solar prolongada e, muitas vezes, desprotegida. Neste caso, a radiação ultravioleta estimula a produção anormal de melanina, resultando em manchas de tonalidade escura que se diferenciam das sardas pelo seu tamanho e pelo facto de não desvanecerem durante os meses de outono e inverno. Surgem principalmente no rosto, nomeadamente nas bochechas, nariz e testa, bem como nas mãos, braços e zona peitoral. Apesar de consistirem em danos associados à radiação UVA e se intensificarem com a idade, distinguem-se do conceito de manchas de idade.

Manchas de idade: Esta forma de hiperpigmentação encontra-se associada ao pigmento lipofuscina e não à melanina propriamente dita. De coloração amarelada ou castanho-dourada, a lipofuscina encontra-se sobretudo presente em células de reduzida multiplicação, mas com uma esperança média de vida longa. Assim, quanto maior a quantidade de lipofuscina numa determinada célula, mais velha esta será. Desta forma, as manchas de idade resultam de resíduos celulares. Se bem que, a olho nu, será difícil diferenciar manchas de sol de manchas de idade, poderá alegar-se que, enquanto as primeiras são resultado de longos períodos de exposição solar desregrada e se manifestam com o passar dos anos, as segundas são fruto do processo de envelhecimento celular.

Hiperpigmentação pós-inflamatória: É consequência de inflamação provocada por processos traumáticos infligidos à pele, como, por exemplo, feridas, borbulhas, acne cística, (ab)uso de esfoliantes químicos e substâncias com características irritantes ou também tratamentos cosméticos. A importância de regenerar a pele após feridas ou lesões, esfoliar com delicadeza e de cumprir todas as indicações clínicas antes e após tratamentos cosméticos não deve ser subestimada. Apesar de poder ocorrer em qualquer tipo de pele, este tipo de hiperpigmentação é predominante em pessoas de pele mais escura.

Hiperpigmentação hormonal, melasma ou cloasma: Como poderão antecipar, esta forma de hiperpigmentação ocorre devido a distúrbios hormonais resultantes da gravidez, anticontracetivos, alterações dos níveis de estrogénio, progesterona ou estradiol assim como disfunções da tiróide e stress elevado. Costuma surgir no rosto, embora possa aparecer nos braços ou pescoço, e pauta-se normalmente pela sua simetria. É relativamente comum em peles mais escuras e tende a desaparecer gradualmente. Todavia, é de difícil tratamento e a exposição solar contribui para o seu agravamento, pelo que o uso de protetor solar é de enorme importância.

Abaixo apresento catorze dicas que poderão contribuir para a prevenção, redução ou eliminação de sinais de hiperpigmentação. Aplicam-se sobretudo em caso de manchas provocadas pelo sol ou de idade, hiperpigmentação hormonal assim como pós-inflamatória. Pessoas com sardas ou sinais poderão também beneficiar destas dicas. Contudo, aqueles com estrias, em concreto as de coloração branca, encontrarão a solução mais eficaz em tratamentos cosméticos a laser ou em injeções.

#1. Atuar com rapidez.

Não o vou negar. A hiperpigmentação é uma das condições cutâneas mais difíceis de tratar. Os corajosos terão de se apressar! O período de tempo ideal para combater hiperpigmentação será até seis meses após o seu aparecimento. Sobretudo quando causadas pela produção anormal de melanina, as manchas associadas à hiperpigmentação tendem a rapidamente inculcar-se na epiderme rumo à derme, o que dificulta bastante o seu tratamento. Aqueles que atuem de imediato, identificando a causa da hiperpigmentação e recorrendo a tratamentos específicos, poderão reduzi-la consideravelmente no prazo de dois a três meses.

#2. Aplicar protetor solar diariamente.

Já devem estar fartos de me ver constantemente a abordar este assunto. Não é à toa, posso garantir-vos. Usar protetor e evitar a exposição solar são dois passos essenciais para a prevenção e tratamento de diversos tipos de hiperpigmentação, nomeadamente de melasma. Não esqueçamos que a luz solar estimula a produção de melanina. Por outro lado, tratamentos com esfoliantes químicos ou retinóides aumentam a sensibilidade cutânea, pelo que optar por não se proteger do sol poderá comprometer os resultados de tratamentos contra a hiperpigmentação e até agravar esta condição.

#3. Apostar em ingredientes que uniformizem a tez.

Este tipo de ingredientes apresenta melhores resultados no tratamento de hiperpigmentação causada pelo excesso de melanina, atuando por via do bloqueio de instâncias associadas à produção da mesma. Alguns dos ingredientes mais empregues com o intuito de uniformizar a aparência da tez e reduzir a hiperpigmentação bem como a descoloração são a arbutina, mequinol, (raiz de) alcaçuz e glabidrina, pepino, casca de pinheiro e picnogenol, mas ainda o sarandi tal como folhas de salgueiro. Gostaria ainda de mencionar a hidroquinona no seu estado puro e o ácido kójico, substâncias eficazes embora algo controversas, na medida em que poderão incrementar a sensibilidade cutânea e causar irritação. Alega-se ainda que a hidroquinona terá características citotóxicas, se usada em concentração superior a quatro porcento.

#4. Utilizar esfoliantes químicos.

Alguns dos esfoliantes químicos mais indicados para a prevenção e tratamento da hiperpigmentação são o ácido glicólico, ácido láctico (AHAs), ácido salicílico (BHA), ácido fítico, ácido azelaico e ácido tricloroacético bem como enzimas proteolíticas de plantas. Considerem a sensibilidade da vossa pele na escolha dos ingredientes que mais se adequararão às vossas necessidades específicas e optem sempre por uma aplicação de intensidade gradual.

#5. Complementar com antioxidantes e outros produtos químicos.

Utilizem vitamina C, idealmente em concentração de dez a vinte porcento, exceto se a vossa pele for sensível. Perante tal situação, deverão optar por uma concentração máxima de cinco porcento. Apostem no uso de retinóides, niacinamida, glucosamina, resorcinol, péptidos e vitamina E. Como nas duas dicas acima, aqui também se aplica a velha máxima que a união faz a força. Não existem ingredientes nem produtos perfeitos, pelo que é importante criar uma sinergia consequente entre diferentes substâncias.

#6. Considerar adquirir cosméticos que necessitem de receita médica.

Em grande parte dos casos, os cosméticos de receita médica ou comercializados em farmácias costumam ter maior concentração de substâncias como, a jeito de exemplo, retinol. Gradualmente, poderão equacionar utilizar uma fórmula mais avançada e que contenha alguns dos ingredientes que têm vindo a empregar no vosso tratamento, se necessário. Aqueles com pele sensível, doenças cutâneas ou de tendência acneica deverão procurar aconselhamento profissional antes de optarem por produtos cosméticos com maior concentração de substâncias que poderão aumentar a sensibilidade da pele.

#7. Não espremer borbulhas nem pontos negros.

Quase tão difícil como alcançar o cume do Evereste e tão irresistível como a Sephora durante a época de saldos… É simplesmente uma das melhores escolhas que poderão fazer pela vossa pele e, como acima havia referido, uma das principais maneiras de prevenir hiperpigmentação pós-inflamatória.

#8. Aplicar com ingredientes que inibam a produção de melanina.

A ingestão de glutationa poderá contribuir para o tratamento de hiperpigmentação associada ao excesso ou produção anormal de melanina. Crê-se ainda que injeções desta substância sejam particularmente eficazes no tratamento de manchas e sinais associados a esta condição cutânea.

#9. Usar um chapéu, sempre que possível.

Aconselho o uso de chapéu, de modo a complementar o efeito de produtos de proteção solar. Particularmente indicados são os chapéus de aba larga e elástico na parte interna, permitindo que facilmente se adaptem à cabeça.

#10. Consumir alimentos com as vitaminas A, C, D e E.

Para além da aplicação tópica de antioxidantes, uma alimentação variada e rica em nutrientes é fulcral para a prevenção e tratamento da hiperpigmentação. Garantindo que não possuem nenhuma carência nutritiva, façam questão de ingerir antioxidantes como vitamina C ou a vitamina E, assim como vitamina A (sob a forma de betacaroteno e retinol) e vitamina D. As duas primeiras contribuirão para a saúde cutânea e reduzirão o stress oxidativo, sendo que a vitamina A contribuirá para a manutenção de uma pele normal. Alega-se que a vitamina D incrementará a resistência da pele à luz solar. Havendo pouca evidência disso, certo é que consumir suficiente vitamina D trará uma panóplia de benefícios adicionais e reduzirá a “necessidade” de exposição prolongada ao sol, ou seja, acima dos quinze minutos diários.

#11. Refrescar a pele após a exposição solar.

Existe alguma evidência de que o calor poderá, de certa forma, estimular a produção de melanina e, assim, dificultar o tratamento da hiperpigmentação. Assim, recomendo que refresquem a vossa pele após a exposição solar, sauna ou atividade física moderada a intensa.

#12. Proceder a tratamentos de estética para o rosto.

Existem diversos gabinetes de estética capazes de oferecer tratamentos sérios e rigorosos contra sinais de hiperpigmentação, possuindo ainda uma ampla oferta na área de tratamentos de rejuvenescimento facial. A periodicidade ideal para este propósito específico será um trataento de estetética facial mensal.

#13. Proteger os lábios.

Sabiam que sinais de hiperpigmentação poderão igualmente surgir nos lábios? Apesar da menor incidência, considero esta questão demasiado pertinente para ser omitida. Aliás, por vezes, o melanoma manifesta-se nos lábios ou no contorno dos olhos, normalmente negligenciadas no que toca à aplicação de protetor solar. Por este motivo, utilizem batom com fator de proteção solar e, se possível, capaz de proteger contra a radiação ultravioleta UVA.

#14. Equacionar tratamentos a laser, microdermoabrasão ou crioterapia.

Recomendo que se aguarde dois a doze meses para fazer um balanço oficial dos resultados obtidos com tratamentos manuais. Caso não obtenham os resultados desejados ou tenham hiperpigmentação há já algum tempo, talvez queiram considerar tratamentos profissionais de natureza mecânica, capazes de diminuir consideravelmente a hiperpigmentação existente e, no caso do laser, tratar esta condição cutânea em profundidade. Recorram para isso a acompanhamento profissional e escolham cuidadosamente o especialista que tratará a vossa pele. Caso efetuados de forma incorreeta, estes tratamentos poderão fomentar imperfeições, cicatrizes ou hiperpigmentação pós-inflamatória.

Em suma, esfoliem regularmente, usem produtos cosméticos capazes de tratar a hiperpigmentação, combinem retinóides e vitamina C com ingredientes que aclareiem e uniformizem a tez. Agora é a vossa vez de falar! Tiveram ou têm de lidar com hiperpigmentação? Quais são as vossas estratégias preferidas e o que gostariam de ter sabido mais cedo? Boa semana! C.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s