Porque é que preciso de protetor solar?

O que é bom acaba depressa… Pelo menos para mim! Pessoalmente, estou a adorar redigir esta série de artigos sobre protetor solar. Para além de ser um tema fulcral que se insere numa área que amo, os cuidados de pele e de beleza, é um assunto que nem sempre é abordado de forma suficiente completa e aprofundada a ponto de impelir à ação.

Afinal, assume-se, muitas vezes, que o público está informado acerca do uso de protetor solar. A importância deste produto é conhecida e sabida. Mas, por vezes, conceitos como fator de proteção solar, UVA / UVB ou filtro físico são desconhecidos. Não é preciso ser especialista, mas ter noções básicas confere autonomia. E o saber não ocupa lugar, mas pode salvar vidas.

Por seu lado, muitos artigos sazonais acerca deste tópico pecam pelo product placement excessivo e pela superficialidade da informação. Quero fazer a diferença neste aspeto, zelando pelo direito à informação e pela qualidade da mesma. Procurarei ser breve, mas não poderia deixar de dedicar um artigo à importância do protetor solar, abordando alguns perigos associados à radiação ultravioleta e focando-me ainda na perspetiva do envelhecimento precoce.

Sol: essencial à vida vs inimigo da pele. Como assim?

Sempre que me tenta convencer a ir apanhar um pouco de sol, a minha mãe diz que esta estrela é vida. E não é verdade? Quanto tempo resistiriam a humanidade e grande parte da vida animal / vegetal se a luz solar deixasse, repentinamente, de iluminar o planeta? Não quero nem pensar. Provavelmente, bastariam algumas semanas com ausência de luz solar para que a superfície terrestre atingisse temperaturas que não sustentassem a vida tal como a conhecemos.

Por seu lado, a exposição solar é considerada uma das formas mais eficazes de garantir a absorção de vitamina D, nutriente que é utilizado pelo organismo para o desempenho de funções vitais. De acordo com informação veiculada pela Comissão Europeia, a vitamina D contribui para a normal absorção e utilização dos minerais cálcio e fósforo; níveis sanguíneos de cálcio normalizados; normal manutenção óssea, muscular e dentária bem como para o normal funcionamento do sistema imunitário.

São motivos de sobra para procurar a exposição solar diária, se possível, durante um máximo de quinze minutos, tempo suficiente, num dia solarengo, para que o organismo armazene a quantidade necessária de vitamina D. É importante considerar dar um breve passeio ou expor apenas os membros inferiores ou superiores à luz do sol, tendo ainda em conta o uso de protetor solar, independentemente da ocasião em questão.

Caso o tema da vitamina D não fosse outro motivo suficiente para atestar a importância do sol, surge também a questão associada à provável possibilidade de a luz solar desempenhar um papel na produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela regulação de funções corporais como, por exemplo, o apetite, sono, temperatura, humor e responsividade cerebral. Daí a sensação de prazer muitas vezes associada à exposição solar.

Se é essencial à vida neste planeta, o sol, ou melhor dizendo, a radiação solar será, em excesso, prejudicial, podendo causar danos dificilmente reversíveis e doenças. Na minha tentativa de encontrar estatísticas com alguma credibilidade, deparei-me com um infográfico na página de aconselhamento da marca Paula’s Choice. Infelizmente, não existe uma referência clara ao local de estudo que permitiu tomar as conclusões que se seguem, por isso partirei do princípio que se referirão à população residente nos Estados Unidos da América.

#1.

Cerca de 4,5 milhões de casos de cancro da pele diagnosticados têm como causa a exposição solar.

#2.

Oitenta e cinco porcento das pessoas inquiridas desconhecem que a radiação nociva do sol é a principal causa de sinais de envelhecimento cutâneo.

#3.

Oitenta e cinco porcento das pessoas inquiridas não ouviu nem leu notícias acerca da relação entre rugas, manchas e a radiação solar.

#4.

Mais de noventa porcento dos sinais tipicamente associados com o envelhecimento são, na verdade, causados pela exposição solar excessiva.

#5.

Apenas uma em cada sete mulheres inquiridas assumiu usar protetor solar diariamente.

Let that sink in… Para além do mais, 86 porcento das pessoas entrevistadas manifestou preocupação face ao exposto e à ausência do hábito de usar protetor solar diariamente, enquanto apenas 14 porcento utilizava este produto com regularidade. Apesar de não conseguir precisar a origem dos factos usados no infográfico apresentado pela marca Paula’s Choice, certo será que muita gente se poderá rever neste tipo de comportamentos, se bem que existirão divergências a nível nacional. Qual será o status quo nos países de língua oficial é o português?

Em Portugal, por exemplo, um estudo de 2013, realizado pela Marktest, aponta que 4,6 milhões de portugueses afirma ter usado protetor solar ou autobronzeador nos últimos meses. Tal representa cerca de 55,6 porcento dos portugueses inquiridos e, no momento, residentes no continente, tendo ainda 15 ou mais anos de idade. No Brasil, segundo um artigo da Exame.com divulgado no ano de 2016, 48 porcento dos inquiridos havia revelado não se ter protegido do sol por via do uso de protetor solar, sendo a principal motivação citada precisamente “a sensação de oleosidade causada pelo protetor solar”.

Os resultados dos estudos acima mencionados não são, a meu ver, plenamente satisfatórios. O uso regular de protetor solar não aparenta estar implícito e, a meu ver, não faz parte da rotina diária de cuidados de pele da maioria. O que é uma pena. O uso diário de protetor solar com proteção UVA / UVB consolida qualquer rotina de cuidados de beleza e, se aplicado diariamente ou com considerável regularidade, poderá tratar e diminuir sinais de idade. Sem este, nenhum tratamento preventivo ou corretivo obterá o grau de sucesso desejado. Tal deve-se ao facto de nem os melhores produtos existentes no mercado poderem eficazmente substituir o modo de atuação de um protetor solar, ou seja, a sua capacidade de prevenir e diminuir sinais de idade associados à radiação solar.

Por fim, para corroborar aquilo que foi acima exposto, gostaria de apresentar algum estudos científicos que poderão clarificar a informação que expus acerca da importância do uso de protetor solar:

  1. O primeiro estudo que vos apresento data de junho de 2017 e apresenta alguns dos principais riscos associados à exposição solar durante o período de férias. É abordado um falso sentimento de segurança. Apesar de ser conhecida a necessidade de proteção face à radiação ultravioleta, a ânsia de obter um bronzeado saudável, sobrestimar a duração de uma exposição solar segura e até a excessiva dependência  do uso de protetor solar durante períodos de maior calor poderão revelar-se fatores nocivos. É patente a necessidade de endereçar estas preocupações por parte de entidades responsáveis pela saúde pública.
  2. Este segundo estudo foi publicado em março de 2017 e corrobora a tese de que os protetores solares contribuem para a prevenção de sinais de fotoenvelhecimento e fotoimunosupressão.
  3. Um terceiro estudo que surgiu um fevereiro de 2016 aborda o envelhecimento da pele e estratégias de tratamento tópico cuja eficácia foi clinicamente provada. A prevenção do envelhecimento precoce da pele por via da proteção contra a radiação ultravioleta, recorrendo a protetores solares e vestuário, é considerada um dos principais focos de ação da dermatologia antienvelhecimento.
  4. Apresento-vos um quarto estudo, divulgado a março de 2015. Abordando os mecanismos  e tratamentos de fotoenvelhecimento, refere a prevenção contra os danos causados pela radiação ultravioleta por via do uso de, por exemplo, protetor solar.
  5. E, para concluir, o último estudo que vos trago apresenta algumas conclusões que tenho vindo a enunciar ao longo dos últimos artigos. Primeiramente, menciona que os principais danos causados pela radiação UVA apenas são visíveis após anos de exposição, sendo ainda claro que esta é responsável por sinais precoces e até algo tardios de fotoenvelhecimento. Para além do mais, a radiação UVA estará associada a mudanças da pigmentação da pele com o decorrer dos anos, considerada pelos autores deste estudo o principal sinal de envelhecimento associado sobretudo a pessoas de raça asiática.

Querem saber mais sobre o assunto? Não hesitem em falar com um(a) dermatologista ou um profissional de saúde. Entretanto, recomendo que vejam os seguintes artigos para obter informações acerca de como escolher o protetor solar certo; mitos que não passam disso mesmo e como aplicar protetor solar. Boas leituras, bom verão e bom início de semana! ❤

Nota: Adorava ter encontrado mais notícias ou estudos científicos acerca da taxa de uso de proteção solar noutros países ou regiões nos quais a língua portuguesa é considerada oficial. Foi-me impossível. Caso tenham conhecimento de informações referentes ao vosso país, não hesitem em partilhar! 🙂

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2 thoughts on “Porque é que preciso de protetor solar?

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