Protetor solar: 20 mitos a esquecer de vez.

Quem me conhece sabe que gosto de lendas, não de mitos. Se optei por usar o primeiro artigo da série acerca do uso de protetor solar para dar a conhecer algumas informações importantes acerca deste tipo de produto, aproveitarei esta segunda publicação para abordar mitos recorrentes no que concerne a esta temática.

#1. Não vou à praia. Logo, não preciso de usar protetor solar.

Ou talvez fosse melhor usar. Mesmo quem não está a considerar ficar a torrar horas a fio ao sol escaldante beneficiará da aplicação diária de protetor solar com proteção contra os fotões ultravioleta UVA e UVB. Na verdade, os efeitos nocivos destes dois tipos de radiação ultravioleta poderão fazer-se sentir até em dias nublados ou de chuva, chegando a atingir e penetrar a pele, ainda que em menor quantidade.

Relembremos que os fotões UVA contribuem para a formação de radicais livres bem como danos a nível do ADN e os UVB podem provocar escaldões. Por isso, nada de bom se avizinha com este duo. De qualquer das formas, protejam-se!

#2. Os meus cosméticos já têm SPF (fator de proteção solar).

Se bem que é discutível se poderão substituir o protetor solar, algo que não creio e, por isso, não desejo aconselhar, caso enveredem por essa opção, não se esqueçam de aplicar esse mesmo produto quantas vezes for necessário, de modo a assegurar que a vossa pele estará continuamente protegida.

Há ainda que ter ainda em atenção o facto de, muitas vezes, o fator de proteção solar presente em produtos cosméticos ser inferior a 30, não conter ingredientes capazes de proteger contra ambos os tipos de radiação ultravioleta e, adicionalmente, não ser aplicado em quantidade suficiente de forma a surtir efeito.

#3. Apenas os raios que queimam a pele são perigosos.

É inegável que os raios que queimam a pele, mais precisamente os fotões UVB, são perigosos, podendo provocar escaldões e até, a médio ou longo prazo, cancro da pele. Importante é reconhecer que também existem smooth criminals na atmosfera, os designados raios UVA.

Sendo que não alteram a cor da pele tão rapidamente quanto os raios UVB, por penetrarem a epiderme e atingirem camadas cutâneas inferiores, os efeitos dos raios UVA não são tão percetíveis no quotidiano. Contudo, certo é que provocam danos consideráveis ao nível do ADN. Daí a importância de adquirir um protetor solar que abranja em simultâneo os raios UVA e UVB.

#4. Vou usar o protetor solar que comprei há cinco anos. Uma relíquia!

Preservem memórias ilimitadamente, não protetores solares. Normalmente, os protetores solares têm um prazo de validade entre dois e três anos após a data de produção e não de compra. Sendo que algumas marcas incluem esta referência na embalagem, é um detalhe ao qual podem e devem atentar durante o ato de compra.

Mesmo que o produto não venha acompanhado dessa informação, possíveis alterações na cor e consistência do protetor solar indicam que será necessária a sua substituição. Mas, de qualquer das formas, se colocarem protetor solar regularmente e prestarem atenção à quantidade recomendada, o uso de uma embalagem deverá respeitar largamente o seu prazo de validade.

#5. Mas não basta ficar à sombra? 

Optar por ficar à sombra durante os períodos de maior intensidade em termos de radiação ultravioleta é uma atitude sensata e estritamente recomendada por organizações como a Skin Cancer Organisation ou a American Academy of Dermatology. Mas não usar protetor solar implica estar vulnerável a danos solares, mesmo que se prefira ficar à sombra em vez de se aventurar ao sol.

Porquê? Porque, estando presentes na atmosfera, os fotões ultravioleta poderão penetrar não apenas áreas iluminadas pela luz solar, mas também zonas com sombra. Para além do mais, muitas vezes, elementos como a areia, neve, água ou até o alcatrão tendem a refletir sobretudo os raios UVB.

#6. Se usar protetor solar vou ficar com deficiência de vitamina D.

Em primeiro lugar, seria necessário aplicar diversas camadas de protetor solar de modo a filtrar até os raios de sol que fornecem vitamina D ao organismo humano. Por outro lado, o tempo de exposição solar de modo a satisfazer a dose recomendada de vitamina D tende a ser largamente sobrestimado. Crê-se que uma média diária de quinze minutos de exposição solar confira ao organismo humano a quantidade de vitamina D que necessita para desempenhar as suas funções.

Superar esse período de tempo será, à partida, desnecessário, porque o corpo para de armazenar esta vitamina assim que as suas reservas estejam satisfeitas. Todavia, caso uma possível deficiência de vitamina D seja uma preocupação vossa, acredito ser mais sensato tentar colmatar esta questão por via de uma alimentação e exposição solar regradas ou, inclusivamente, de suplementação.

#7. Quem já estiver bronzeado não tem mal que lhe pegue.

Estar bronzeado, ou seja, ter alterado consideravelmente o tom da sua pele por via de exposição solar voluntária e prolongada significa que terão ocorrido danos provocados pelo sol. Uma pele bronzeada poderá até reduzir moderadamente a probabilidade de um escaldão, devido ao facto de o corpo ter sido obrigado a produzir melanina para se defender da radiação ultravioleta, mas não significa, de forma alguma, que previna os efeitos negativos associados quer aos fotões UVA, quer aos fotões UVB. Estima-se que o fator de proteção solar conferido por um bronzeado seja equivalente ao valor de 4, enquanto o mínimo recomendado para aplicação quotidiana é 15.

#8. Tenho alergia a protetor solar.

Os casos de alergia ao protetor solar em si e não a um ingrediente em particular que esteja incluído na formulação de um determinado produto são raríssimos. Sendo certo que, contudo, ocorrem, muito provavelmente não se refletem na vossa experiência de uso. Quem apresenta intolerância a produtos de proteção solar deverá procurar aconselhamento dermatológico e médico.

Todavia, se a vossa pele é, na verdade, sensível ou tem tendência para alergia é preferível evitar produtos que contenham perfumes, álcool ou conservantes. Por seu lado, também aqueles com pele sensível e tendência a ter alergias deverão optar por filtros físicos, evitando protetores solares com avobenzona, oxibenzona ou ácido para-aminobenzoico.

#9. O meu tom de pele é por natureza escuro e não preciso de usar protetor solar.

Apesar de a probabilidade de sofrer um escaldão ser relativamente reduzida, tal não implica que a radiação ultravioleta não cause danos a nível do ADN e incite a produção de radicais livres. Por isso, recomenda-se o uso de, no mínimo, protetor solar com fator de proteção solar 30 para prevenir o envelhecimento precoce da pele. A evitar serão, possivelmente, protetores solares que possam deixar um filtro esbranquiçado e opaco na pele.

#10. Não quero expor o meu corpo a químicos. Por isso, não uso protetor solar.

É uma ideia perigosa e perpetuada de forma recorrente por algumas influencers e celebridades. Não me façam citar nomes, por favor! Nesta matéria e em muitas outras, sou de opinião que o parecer de um especialista vale mais do que vinte mil vozes difusas. Sobretudo quando essas mesmas vozes cujo cérebro nem sempre está no seu very best utilizam a sua proeminência para colocar em causa o trabalho de divulgação e combate de uma das maiores epidemias do século XXI, o cancro da pele.

Como já havia referido num artigo anterior, nem sempre aquilo que é considerado químico é mau e nem tudo o que é natural é uma melhor alternativa. De qualquer maneira, quem tenha pele sensível ou deseje evitar protetores solares químicos, poderá optar por filtros físicos, que oferecem proteção simultânea contra os fotões UVA e UVB. Mas fiquem cientes de que também o dióxido de titânio e o óxido de zinco são considerados elementos químicos, ainda que não tão químicos. Whatever. O importante é usarem um protetor solar, porque a alternativa não me parece ser de todo positiva.

#11. Basta usar protetor solar nas horas de maior calor.

Se bem que durante os períodos de maior calor, a atividade ultravioleta tende a ser maior, negligenciar o uso de protetor solar antes ou depois desse horário expõe desnecessariamente a pele a danos solares. Apliquem protetor solar antes de sair de casa e não se coíbam de voltar a colocar o produto com relativa regularidade até regressarem ao vosso ninho.

#12. Acredito que fator de proteção solar 15 é suficiente.

Pode ser. Pode até não ser. Certo é que é melhor que nada e estima-se que seja capaz de travar a nocividade de cerca de 93 porcento dos raios solares UVB, absorvendo ou refletindo-os.

Existindo uma diferença significativa entre o SPF 15 e o SPF 30, sendo este último capaz de absorver ou refletir 97 porcento dos fotões ultravioleta, poder-se-á considerar que, em alguns casos e sobretudo durante os meses de maior intensidade ultravioleta, utilizar um protetor solar com maior fator de proteção solar seria ideal.

Importa ainda ter em atenção fatores como o tom de pele natural ou a sensibilidade cutânea das zonas nas quais o protetor solar será aplicado. Geralmente falando e sem procurar aconselhar clinicamente, estou convencida de que com um protetor solar para o corpo cujo FPS mínimo seja 30 e, para o rosto e pescoço, FPS 50 dificilmente se poderá errar. Este é um daqueles casos em que mais é verdadeiramente mais.

#13. O mais importante num protetor solar é o SPF / FPS.

É importante e é um critério que pode facilitar a escolha de um protetor solar aquando do ato de compra. Não obstante, ao tender a considerar apenas a radiação UVB, ignora os danos infligidos pelos raios UVA. Por este motivo, para mim a caraterística mais importante de um protetor solar é precisamente oferecer um espetro de proteção alargado que abranja os fotões UVA e UVB. Um SPF moderado a alto nunca virará defeito, obviamente. 😉

#14. Apliquei protetor solar de manhã e vai ter de sobrar até ao final do dia.

A Troika já saiu de Portugal e este mito podia ter apanhado o mesmo voo. Just saying! Se, num mundo ideal, este mito seria uma verdade, a realidade é outra. Assim sendo, é realmente necessário aplicar protetor solar várias vezes ao longo do dia, sobretudo em caso de exposição solar prolongada. De forma geral, deve-se aplicar protetor solar a cada duas ou três horas, sendo que, no caso dos ingredientes Mexoryl SX e Mexoryl XL, este período poderá ser alargado, devido à maior durabilidade de ambos.

#15. Com pouco protetor solar também se vai longe.

Essa mentalidade FMI gotta go! Pensem que estão a deitar creme de chocolate numa fatia de pão e o vosso metabolismo é mais rápido que uma chita. Apliquem protetor solar liberalmente, de forma a alcançar cada parte da vossa pele. Não apliquem protetor solar como se estivessem a colocar um sérum ou a deitar perfume. Apliquem verdadeiramente de forma liberal, pois só assim é que o produto surtirá o efeito desejado e o fator de proteção solar atingirá o seu completo potencial.

#16. O protetor solar é a melhor defesa contra um escaldão.

Os protetores solares com proteção contra fotões UVB poderão contribuir para a prevenção de queimaduras da pele e escaldões. Todavia, a melhor maneira de prevenir um escaldão é e será evitar a exposição solar prolongada completamente ou, pelo menos, durante períodos de maior atividade ultravioleta.

#17. Vou aplicar o protetor solar antes do creme e da maquilhagem.

Principalmente no caso dos filtros físicos e, muitas vezes, também no caso dos protetores solares químicos, a forma de aplicação faz totalmente a diferença. Considera-se que estes só atuarão de forma esperada caso sejam colocados a seguir a quaisquer outros produtos cosméticos, como passo final da rotina diária de beleza. Afinal, é assim que o seu efeito é testado a nível laboratorial, sendo que colocar produtos por cima do protetor solar comprometerá o seu nível de filtração da radiação ultravioleta.

#18. Não posso usar protetor solar porque tenho pele de tendência acneica.

Muita gente considera que a maioria dos protetores solares possuem uma formulação algo gordurosa, o que tenderá, a seu ver, a obstruir os poros e causar imperfeições. Por isso, uma percentagem de quem partilha esta opinião abstém-se de usar proteção solar diariamente.

A escolha para este tipo de peles deverá incidir em formulações não-comedogénicas, sobretudo em formato de creme ou loção, que não sejam particularmente oleosas, prevenindo o surgimento de imperfeições. A Skin Cancer Organisation recomenda, neste caso, protetores solares minerais. Outra opção serão protetores solares químicos com ensulizol, devido à sua consistência leve e hidrossolubilidade.

Aqueles que tenham pele com tendência acneica e apliquem medicação cutânea poderão ter de lidar com pele ligeiramente seca, pelo que protetor solar sob a forma de uma loção de consistência leve ou gel poderá ser ideal. Protetores solares com álcool poderão parecer apetecíveis para quem tem pele oleosa, devido ao facto de secarem a pele. Contudo, a médio ou longo prazo, poderão ser mais prejudiciais do que beneficiais, na medida em que danificam a barreira protetora da pele e poderão irritar a pele.

#19. Vou só colocar protetor solar no corpo. 

Dos produtores de vou lavar só metade do cabelo surgiu o conceito de aplicar apenas protetor solar no corpo. Guess what? O rosto, o pescoço e as mãos tendem a ser das zonas mais expostas diariamente e, coincidentemente, com maior sensibilidade cutânea. Assim, é importante aplicar protetor solar não apenas no corpo propriamente dito. A não ser que usem um facekini vulgo bikini para a cara. Aí retiro tudo o que escrevi até agora a este propósito. Tenham apenas em atenção o tecido e a sua cor, pois os raios solares tendem a penetrar tecidos de cor escura e materiais mais finos.

#20. Para quê me preocupar agora? Já não sou assim tão jovem!

Tal como consumir drogas legais ou ilegais, comer fast food ou comida pouco saudável diariamente e excessivamente, conduzir acima do limite de velocidade recomendado bem como ser uma pessoa má para com os outros, também neste caso é importante parar. Imediatamente.

Nunca é tarde demais para sermos a melhor versão de nós próprios e (re)encaminharmos a nossa vida numa direção mais favorável. Assim, não há um prazo para tentar contornar os danos associados à exposição solar prolongada e desprotegida. O importante é começar! Para mais informação acerca dos primeiros passos a dar na direção acertada, não hesitem em ler este artigo. 🙂

Então, qual é o vosso mito favorito e qual acham mais absurdo? Esqueci-me de mencionar algum que considerem importante? Contem-me tudo nos comentários… Fiquem por aí, porque a aplicação sensata de protetor solar é o tema que se segue! C.

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